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Amor e Sofrimento: Uma Explicação Para a Falta de Amor

A contradição reside em nós e está no centro da nossa realidade, incluindo o amor. Amamos o que nos dá prazer e o que nos faz sentir felizes. É por isso que amamos os nossos cônjuges, os nossos pais, os nossos filhos. Só que isso também pode também ser causa de dor e sofrimento, como todos sabemos.

A dor, a morte, e a desgraça rondam as nossas vidas, e quando elas atingem aqueles que amamos, isso obriga-nos a sacrifícios, e a chorar e a sofrer por eles. Por isso, amar muito, ou amar muita gente, se por um lado é fonte de alegria e prazer, também é fonte de dor – associado à dor daqueles que amamos.

Não amar pode, por isso, ser uma via de fugirmos à dor. É o que a seu modo diz o monge budista I-Hsuan:
Mata tudo o que se cruzar contigo. Mata Buda, se ele vier ter contigo… Mata os teus pais e parentes, se vierem ter contigo. Só assim podes ser livre, sem ligações às coisas materiais, sem quaisquer laços, e à vontade.
As palavras de I-Hsuan soam a estupidez. Ou melhor: são estúpidas, numa perspectiva ética. E no entanto, ele não deixa de estar a retratar um certo mecanismo espontâneo que nos leva a uma certa indisponibilidade de amar – bem visível na nossa falta de amor em relação aos desconhecidos. A nossa indiferença em relação aos desconhecidos pode de facto ter a ver com a nossa tentativa de fuga à dor…

Amar de forma intensa os pobres do mundo seria sofrer com eles. Amar os desgraçados, e as vítimas dos mil e um acidentes e males que atingem o homem mundo fora – e que a televisão e os meios de comunicação continuamente trazem até nós – seria sofrer todos os minutos, todos os dias. O que é manifestamente demasiado. E isso pode explicar a nossa tendência para a indiferença. Porque amar é também sofrer…

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